Estava com uma tremenda vergonha de carregar todas elas. Sempre tenho medo de fazer tarefas, sair, mover algumas coisas, sozinha.
Estranhamente numa quarta-feira antes do feriado andam muitos curiosos por ai, principalmente os que perguntam o que uma menina, que não conseguia carregar a carga, estava tentando equilibrar uma caixa gigante na cabeça.
Pra todas essas pessoas eu respondia.
"É que eu to de mudança."
Elas apenas sorriam e continuavam a própria vida. Mal sabem, o tanto de esperança que nessa frase cabe. Nem o tanto de solidão que eu sinto no meu lar.
E se eu estivesse mesmo de mudança? O que iria mudar? Eu não tenho nenhum lugar, nenhum nada.
Quando penso na palavra "mudança" em seguida vem a palavra beleza que é perseguida por desespero então eu logo sinto um grande aperto no coração, pois "mudança" é sinônimo de "Pra onde vou? Quando vou?" e quando eu me faço essas perguntas tem as exatas respostas:
-Pra onde você vai Brenda?
-Um lugar que sempre tenha sol, mas nunca faça calor, que seja iluminado até a noite. A lua pode ser 3 vezes maior que o tamanho normal, pois eu nunca quero ficar na escuridão. Um lugar que tenha uma varanda grande e roupas brancas, assim como nos comerciais de sabão em pó.
-Quando você vai Brenda?
-Talvez quando eu tiver coragem de largar tudo pra traz e blablablablabla.
E o subconsciente responde: Você sabe que não existe o lugar, e que só envolve a coragem no meio dessa resposta por que tem medo de admitir que você não tem o seu lugar por aqui.
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